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27/08/2014
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Biografias da Sustentabilidade
José Pedro Soares Martins

Resumo:
Nomes fundamentais na trajetória da idéia de sustentabilidade, no Brasil e no mundo
 

GRO HARLEM BRUNDTLAND E O CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

      A expressão desenvolvimento sustentável, que marcou a Eco-92 e passaria a pontuar o debate sobre meio ambiente e desenvolvimento nos anos seguintes, foi popularizada com o Relatório Brundtland, como ficou conhecido o documento final – oficialmente “Nosso futuro comum” – produzido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada em 1983.
      A Comissão foi constituída com a missão de indicar medidas de cooperação, entre países considerados desenvolvidos e em desenvolvimento, no sentido de promover novo modelo de desenvolvimento no planeta. Para liderar a Comissão foi indicada a ex-ministra do Meio Ambiente e ex-primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland.
      Nascida em 1939, Brundtland estudou nos Estados Unidos, com bolsa da Fundação Rockfeller e, filha de médico, abraçou a mesma profissão, tendo estudado na Faculdade de Saúde Pública de Harvard. De volta a Oslo, ingressou no Ministério da Saúde e em 1974 tornou-se ministra do Meio Ambiente, cargo ocupado até 1979. A Escandinávia tinha sido influenciada, de modo especial, pela Conferência de Estocolmo de 1972. A passagem pelo Ministério do Meio Ambiente foi a plataforma para Brundtland conciliar os esforços entre as questões ambientais, sociais e econômicas. Depois voi várias vezes primeira-ministra. Em 2004, The Financial Times indicou Brundtland como a quarta pessoa européia de maior influência mundial, depois do Papa João Paulo II, Mikhail Gorbatchev e Margareth Thatcher.
      Para compor a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, foram nomeados expoentes nas ciências, no mundo empresarial e político. Entre outros, participaram Maurice Strong e o brasileiro Paulo Nogueira Neto, primeiro titular da secretaria especial de Meio Ambiente da Presidência da República, cargo que ocupou entre 1974 e 1986.
      A Comissão da ONU promoveu audiências públicas em vários países, inclusive no Brasil, para avaliar a percepção da sociedade civil mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento. Entre março de 1985 e fevereiro de 1987, foram promovidas reuniões em Djakarta (Indonésia), Oslo (Noruega), São Paulo e Brasília (Brasil), Vancouver, Edmonton, Toronto, Ottawa, Halifax e Québec (Canadá), Harare (Zimbabwe), Nairobi (Quênia), Moscou (URSS), Toquio (Japão). Reuniões de grupos de trabalho especiais da Comissão foram realizadas em Genebra, Moscou e Berlim Ocidental.
      A Comissão teve o apoio de Comitês Consultivos, sobre Energia (presidido pelo ex-ministro de Relações Exteriores do Uruguai e depois presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento-BID, Enrique Iglesias), Indústria (Umberto Colombo, Itália, presidente da ENEA; do Comitê participou o brasileiro José Mindlin), Segurança Alimentar (M.S. Swaminathan, India, diretor do Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz).
        O relatório final salientou a expressão desenvolvimento sustentável, assim definido: “O desenvolvimento sustentável é um desenvolvimento que satisfaz as necessidades da presente geração, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer as suas próprias”.
      Por esse conceito, o atual modelo de desenvolvimento, característico da sociedade industrial ocidental, seria insustentável, em função de promover o uso insustentável dos recursos naturais como os combustíveis fósseis. O ritmo desse modelo de desenvolvimento impossibilita que a natureza promova a auto-regeneração, como acontecia antes da Era Industrial. Foi rompida a homeostase, o ponto de equilíbrio de um sistema, em harmonia. As mudanças climáticas resultantes de ações humanas afetaram a homeostase na atmosfera, o mesmo com o desmatamento em muitos ecossistemas.
     O conceito acabou assumindo novas formulações, dependendo de contextos, autores e interesses específicos. De modo geral, o desenvolvimento sustentável passou a ser considerado como aquele que promove a produção e geração de renda e emprego, mas de modo a promover a justiça social e a preservação dos recursos naturais, tendo em vista as futuras gerações.
        “Nosso Futuro Comum” é dividido em três partes. A primeira, “Preocupações comuns”, é dedicada aos compromissos que deveriam ser tomados em relação ao futuro e o conceito de desenvolvimento sustentável. A segunda parte, “Problemas comuns”, faz um diagnóstico e lista os principais desafios em População e Recursos Humanos, Segurança Alimentar, Espécies e Ecossistemas, Energia, Indústria e o Desafio Urbano. A terceira parte, “Esforços comuns”, faz reflexões sobre A gestão do patrimônio comum, Paz, segurança, desenvolvimento e meio ambiente e Uma ação comum.
      Uma das constatações do documento é a da enorme disparidade de consumo de produtos e insumos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, o que motivaria um esforço global, cooperativo, pelo desenvolvimento sustentável. Por exemplo, considerando dados de 1980-82, os países desenvolvidos, somando 26% da população mundial, consumiam 85% do papel, 79% de aço, 86% de outros metais e 80% da energia.      
      Com a preocupação de usar uma abordagem científica, livre de influências políticas e econômicas, a Comissão conseguiu que o relatório final tivesse ampla repercussão internacional. Depois de aprovado pela ONU, na 42a sessão da Assembléia Geral em 1987, o documento foi apoiado pelo G-7 na Cúpula de Toronto, em 1988. E, com efeito, o documento seria a base da preparação da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92 ou Rio-92, em junho de 1992 no Rio de Janeiro.

Membros da Comissão

Presidente: Gro Harlem Brundtland (Noruega), Vice-presidente: Mansour Khalid (Sudão), Susanna Agnelli (Itália), Saleh A. Al-Athel (Arabia Saudita), Bernard Chidzero (Zimbabwe), Lamine Mohammed Fadika (Costa do Marfim), Volker Hauff (República Federal da Alemanha), Istvan Lang (Hungria), Ma Shijin (Republica Popular da China), Margarita Marino de Botero (Colômbia), Nagendra Sigh (India), Paulo Nogueira-Neto (Brasil), Saburo Okita (Japão), Shridath S. Ramphal (Guiana), William D. Ruckelshaus (Estados Unidos), Mohamed Sahnoun (Algéria), Emil Samil (Indonésia), Bukar Shaib (Nigéria), Vladimir Solokov (URSS), Janez Stanovnik (Iugoslávia), Maurice Strong (Canadá), Secretário geral: Jim MacNeill (Canadá).


Biografia:
Texto extraído de “Terra Cantata – Uma história da sustentabilidade”, José Pedro Martins, Komedi, 2007.
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